"DIZ QUE VOCÊ É ATRIZ, O TIPO DE COISA QUE VOCÊ GOSTA E QUE VOCÊ É UMA DESOCUPADA QUE ESTÁ FAZENDO ISSO PARA PODER ENCHER A PACIÊNCIA DE MAIS PESSOAS DO QUE JÁ ENCHE."
Dito por minha amiga Lívia, quando perguntei a ela o que eu queria com isso...






"242. Suum cuique [A cada um o que é seu.]. - Por maior que seja a minha avidez de conhecimento, não posso extrair das coisas mais do que já me pertence – o que é dos outros continua nelas. Como é possível que alguém seja assaltante ou ladrão?"
F. Nietzsche




































 
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"249. O suspiro do homem do conhecimento. - "Oh, minha avidez! Nesta alma não existe abnegação - mas sim um Eu que tudo ambiciona, que mediante muitos indivíduos gostaria de ver com seus próprios olhos e agarrar com suas próprias mãos - um eu que também recupera todo o passado, que nada quer perder do que poderia pertencer! Oh, essa chama da minha avidez! Oh, que eu ainda nascesse em milhares de seres!" - Quem não conhece por experiência esse suspiro, também não conhece a paixão de quem quer conhecer."
F. Nietzsche
























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Camille Claudel

suum cuique
[a cada um o que é seu]
 
Sábado, Maio 12, 2012  


Alimentando o blog com minhas desgastantes palavras. Trabalho que fiz para a disciplina Teatro e Cultura na Modernidade e Depois. É do Instituto de letras, disciplina Universal. Sobre Tchekhov, Pirandello e Stanislavski.

Tchekhov, Stanislavski e Pirandello: da concepção do humano à percepção da personagem

Diante da folha em branco, o autor busca as personagens. A gaivota, que voa livre e faminta sobre um lago no interior, é a primeira que surge em suas linhas. Ela resta ferida, quase morta, pelos caprichos de um homem desocupado. Assim deveria se sentir Nina, personagem principal da peça teatral escrita pelo médico russo Anton Tchekhov, em 1896. A Gaivota me deixa com esse profundo sentimento de vazio, fortalecido pela aridez típica das províncias tchekhovianas. Talvez porque eu tenha vindo de uma cidade do interior e porque lá, assim como nas peças e contos do escritor russo, todo movimento intelectual soa artificial, afetado, desprovido da verdadeira vida.
A criança desejosa que podemos ser na pequena cidade do interior. Somos traumaticamente Nina, sonhando com o estrelato, o reconhecimento, apostando que o renome supre todas as outras faltas, e sobrevoamos o pequeno lago no campo, onde crescemos, nutrindo grandes esperanças do anunciado talento. Sobrevoamos inocentes e brilhosos, gaivotas famintas. Aos nossos pés, descansam todos que se conformaram com o que tem, ou que já viveram o suficiente para perceberem que o mundo nada de interessante lhes ofereceu. Nina – assim como Katherine, a pianista que sonha em ir para o Conservatório em Moscou, do conto Ionitch, do mesmo autor – alimenta sonhos juvenis e os persegue . Para logo adiante descobrir que o mundo é maior do que previra e inevitavelmente a ofusca. Embora tenha tentado, a vida trágica do interior permanece nela.
E tantos personagens quantos forem nessa história condenam-se no seu isolamento individual, trocando concepções rasas sobre existência e criação, ouvindo apenas os seus próprios anseios. Os dias e os anos passam, os discursos se repetem e a grandiosidade da peça de Tchekhov só se demonstra quando o espectador consegue perceber a trágica condição das personagens, a gravidade com que levam cada gesto da vida. Uma gravidade, no entanto, desprovida de qualquer conteúdo.
A gaivota é o símbolo perfeito da peça. Quando Tepliov acidentalmente assassina uma dessas aves e a coloca aos pés de Nina, não faz qualquer sentido para ela, uma jovem cheia de sonhos a realizar. A mente do rapaz lhe parece complexa demais. A importância daquela gaivota parece existir apenas porque ela inspira Trigorin, a quem Nina admira. O escritor tem a ideia de um conto curto sobre uma jovem que, assim como sua interlocutora naquele momento, é cheia de vida e amante do lago, até surgir um homem que, por não ter nada a fazer, a destrói. Após alguns anos, Trigorin não consegue se recordar de forma alguma daquela cena ou da pobre gaivota. A arte não transborda para a vida, ela é um mero instrumento para a realização superficial dos egos de suas personagens, e todo o seu significado se dissipa no vazio da vida real. Nela, as figuras vão se conformando, não lutam, não tem o vigor que costumam admirar nos seres contidos na literatura e no teatro, talvez porque o sentir não lhes soe como o mais importante. Macha aceita um destino cômodo e fácil, desprovido de amor. Miedviediénko aceita uma esposa que não o ame, Arkádina vive unicamente dos holofotes de atriz. Sórin conforma-se com o fim que não fazia parte dos seus sonhos. Polina ama desde sempre Dorn, mas é casada com Chamraiev... E é assim que as personagens vão se apresentando por toda peça.
Não à toa, a estreia de A Gaivota foi um fiasco. Sem heróis ou grandes feitos, a encenação da mediocridade parecia irrepresentável. Onde estaria o teatro, a comédia, a caricatura na peça de Tchekhov? O escritor, diante do fracasso, havia jurado nunca mais escrever uma peça de teatro.
O grande drama humano estava embutido a todo tempo nesse tipo de vida que as pessoas costumam realmente levar. Como representar esse nada, esse vazio que faz parte da vida real? Foi Stanislavski, em 1898, que conseguiu trazer à tona a atmosfera reveladora de A Gaivota. A abordagem naturalista foi perfeitamente destinada à peça de Tchekhov. As observações detalhadas de composições das cenas, a iluminação que denotaria a tristeza, o temperamento, a respiração, as pausas, a velocidade de falar e os trajes das personagens em cada ato se tornaram fundamentais para reproduzir o que o texto puro de Anton Tchekhov não havia deixado claro.
Àquela época, o teatro passava por uma transição. Tradicionalmente, a interpretação dos atores conservava o tom declamante e caricatural das personagens. Essa abordagem era inconcebível na representação de A Gaivota, peça de detalhes e sutilezas, onde o espetáculo estava presente exatamente no que não acontecia.
Em A Preparação do Ator, Stanislavski destaca a imaginação do intérprete como peça fundamental para o novo sistema de interpretação que surgia. A atuação provém da Natureza, de um sentimento interior de construção da personagem. Esse sistema, eu mesma o pude entender nos primeiros passos que dei para o Teatro, quando estava no Ensino Médio, sem que ninguém atribuísse autoria ou técnica. A imaginação era tudo com que eu contava – acreditar nela, enquanto atuava. Muitas vezes, como exercícios antes dos ensaios, tínhamos que utilizar objetos de forma não convencional ou criar situações imaginárias a serem interpretadas sem fala. Àquela época, como intuição, me vinham vários desdobramentos a respeito das cenas teoricamente mais sem sentido e dos objetos mais inusitados. Cadeiras poderiam ser bolsa, colar. Uma composição estática poderia dar origem a cenas bastante movimentadas. O importante era sentirmo-nos como o ser ou o objeto que representávamos. Da mesma forma, o diretor que dava aula ao Stanislavski estimularia um aluno a representar e sentir como se fosse uma árvore. E buscar dentro de si toda a história da personagem, além do papel que ela desempenhava na peça. O ator teria participação fundamental no processo criativo da personagem, transmitindo suas próprias emoções à figura que interpretaria.
Em 1921, o dramaturgo italiano Luigi Pirandello estreou sua peça Seis Personagens à Procura de um Autor, no Teatro Valle de Roma. Não foi uma boa acolhida, tendo em vista que o dramaturgo trazia ao público uma peça desconstruída, que não se assemelhava a um espetáculo, mas apenas a um ensaio teatral. O público ficou indignado.
No palco, um grupo de teatro se prepara para ensaiar uma peça de comédia. Logo no início, interrompe o porteiro seguido de seis figuras bem definidas, vindos pela plateia. Essa interrupção irrita o diretor que, ao perguntar o que fazem naquele lugar, respondem que são personagens em busca de um autor, já que seu criador se negou a inseri-los no mundo da arte. E a peça do Pirandello gira em torno dessas personagens, totalmente consistentes e marcadas pelo que são, apresentando sua história à companhia de teatro e convencendo-lhes de sua realidade, com esforço, pela incredulidade dos atores que ali deveriam representá-los. Por outro lado, os intérpretes da companhia se apresentam na típica caricatura do ator, com primeira-atriz cheia de caprichos, com direito a cachorrinho acompanhando os ensaios, e habituais manifestações de ego dos integrantes do grupo.
O dramaturgo caracteriza as personagens com o cuidado para que não se confundam com atores ou outras figuras da peça. Iluminação, máscaras, tudo determina as personagens numa abordagem a ser considerada até mesmo filosófica. Elas são imutáveis, eternas, enquanto o homem sempre será volúvel, devido as suas diferentes naturezas. A personagem é exatamente o que o autor criou, ela pode se transformar no decorrer da trama, mas é uma mutação esperada, destinada,; jamais deixará a integridade da forma como foi concebida. O homem, por outro lado, tem uma vida propensa a mudanças inesperadas que, no seu decorrer, o transformará, sem previsões do seu fim.
Quando, na obra de Pirandello, os atores tentam assumir o papel das personagens, estas não se reconhecem na “imitação” que fazem delas. O dramaturgo levantará então, através de Seis Personagens à Procura de Um Autor, a questão que relaciona ator/personagem. Se para Stanislavski – que preencheu lacunas cenográficas e interpretativas de A Gaivota, permitindo o reconhecimento da obra de Tchekhov – a personagem é uma criação não só do autor como do ator, ganhando vida somente com a construção que este faz de sua alma, para Pirandello, o ator nunca chegará a verdade da personagem, que é exatamente como o autor o concebeu. A interpretação de uma obra, cheia de subjetividade, não concebe, para o italiano, a integridade de como as personagens foram criadas. A obra do italiano se realiza exatamente para discutir a validade da sua própria arte.
Das questões colocadas por Pirandello sobre a autenticidade de uma encenação à viabilidade de A Gaivota, como teatro, proporcionada por Stanislavski, ficamos separados por uma grande cratera. A possível ponte que podemos fazer entre essas concepções tão díspares é a apresentação de duas obras de comédia, que mais podem fazer chorar do que rir. Tchekhov chama comédia à sua peça dramática, por tratar de homens comuns e seus vícios, mas com tanto naturalismo, que não nos faria rir, mas sim identificar e sofrer por suas personagens. O dramaturgo italiano concebe o humor para muito mais além do cômico, como a capacidade de se refletir sobre a contrariedade que determinada cena nos causa e, em lugar de adverti-la através do riso, senti-la – quando a graça dá lugar a uma percepção maior da nossa natureza e da nossa tristeza.


VOMITADO POR Gato sem olho 9:09 PM Sacô? Esteja à vontade...

Sábado, Maio 05, 2012  


Bem, não vou reter a matéria que fiz essa semana, na verdade um perfil do autor de novelas policiais, Luiz Alfredo Garcia-Roza, que entrevistei na segunda-feira, em seu escritório que fica no Centro do Rio. Estou um pouco envergonhada, é a primeira vez que escrevo algo no estilo e fico achando um monte de defeitos. Mas é um exercício. Um dia chego lá. Ela foi feita para a disciplina da faculdade, Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa em Jornalismo III. Se a alma penada que passar por aqui puder criticar, sinta-se à vontade.


ESPINOSA, A LITERATURA E A INVESTIGAÇÃO
Áurea Maria Xavier Pereira Gomes

O escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, que criou o famoso detetive Espinosa, já atuou academicamente nos campos da Filosofia e Psicanálise. Ele fala da relação entre suas antigas escolhas e o ato de escrever ficção policial e da sua relação com a cidade


Foi através das histórias policiais que me apaixonei pelo Rio de Janeiro e fiz determinadas escolhas. Mas morar no Rio não é viver um romance e a vida não transcorre tal como num livro. Naquele dia, no entanto, abriu-se um buraco na realidade e finalmente eu poderia adentrar o universo das histórias que me transformaram. Caminharia pelo centro da cidade num dia frio de outono, contrariando todas as expectativas da dura rotina, e me sentaria para ouvir o escritor contar sobre as histórias que inventa.
O simpático senhor de 72 anos abriu a porta, enxugou as mãos que acabara de lavar e me cumprimentou. Eu estava esbaforida, após uma rápida caminhada, da rua do Lavradio, na Lapa, até aquele 9º andar do prédio à beira-mar, no Castelo. Meu semblante alterado descompunha a tranquilidade do lugar e do escritor a minha frente, que me convidou a lavar o rosto e a beber um pouco de água.
Uma pequena mesa de madeira, onde reflete a bela luz vinda da Marina da Glória pela ampla janela. À esquerda, a enorme estante, repleta de livros de ficção, toma a parede até o teto. À direita, mais livros acomodados no largo rack. E, ao longe, o som constante da cidade que inspira. Nesse ambiente, Luiz Alfredo Garcia-Roza – cujo primeiro livro, O Silêncio da Chuva (1996), lhe rendeu os prêmios Jabuti e Nestlé de Literatura – concebeu Espinosa, o famoso delegado de suas novelas policiais. Garcia-Roza chega todo dia às 10h da manhã no escritório e somente no fim da tarde retorna para casa. Resolve pendências pessoais pelo centro da cidade, vai às livrarias, mas procura dedicar o máximo de tempo possível a escrever, isso quando consegue, já que fazer ficção não é fácil e ele é autor de histórias mais longas que os contos. “Eu não sou um contista, só escrevi um conto na vida, que está num livro de contos da Companhia das Letras, de vários autores... Um deles é o meu. Eu acho conto uma coisa extremamente difícil, isso por um lado, porque escrever romance, novela, também não é fácil. Escrever ficção é difícil. Mas o meu jeito de escrever pede um tempo e um espaço maior. Não sou um narrador de histórias curtas. Eu me sinto mais à vontade escrevendo novelas e romances, embora tenha uma boa capacidade de síntese, mas essa capacidade prefiro usar para o trabalho conceitual, teórico, não no trabalho ficcional, que é exatamente um lugar de liberdade”.

Escolhas

Durante anos, Garcia-Roza foi estudioso e professor nos campos da Filosofia e da Psicanálise, escrevendo inúmeros trabalhos acadêmicos e lecionando na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1996, aos 60 anos, resolveu largar a Academia e se dedicar à ficção, lançando O Silêncio da Chuva e o então inspetor de polícia, Espinosa. Não haveria aí uma ruptura com suas antigas escolhas. Na verdade, tudo na vida de Garcia-Roza está interligado: a paixão adolescente pela literatura, o fascínio pelo gênero policial que, segundo ele, seduz por abordar os dois temas essenciais para o homem – a morte e a sexualidade – e a busca por desvendar esses mistérios da natureza humana. Estaria o autor se preparando a vida toda para este momento, o da ficção? “Claro que me fiz a pergunta, sobretudo quando comecei a escrever romance policial, se eu não estava sempre na mesma área, ou seja, eu escolhi um tema e as minhas escolhas profissionais foram variações em torno desse tema. Primeiro a Filosofia, que seria a tomada mais aprofundada da questão, depois a Psicanálise, que, mesmo profunda, pertence a um campo mais restrito, e finalmente o romance policial, que é mais fechado ainda, mas que, ao mesmo tempo, me dá maior liberdade de lidar com essas questões”.

A cidade na narrativa policial

A forma da narrativa policial, tão bem estruturada e definida pelo seu precursor, Edgar Allan Poe, foi a mais direta e completa que Garcia-Roza encontrou para ingressar no universo ficcional. A cidade grande está marcada no autor, mas não qualquer cidade e sim o Rio de Janeiro, o bairro de Copacabana (onde nasceu), a zona sul, o centro e suas ruas antigas e cheias de mistério. Mais um motivo para o desenvolvimento temático da investigação criminal. Tanto para Allan Poe, como para o filósofo e crítico literário Walter Benjamin ou para o criador de Espinosa, a novela policial começa na cidade grande. “Não tem sentido você ser um detetive ou ter uma agência de detetives numa cidadezinha do interior, em que todo mundo conhece todo mundo, sabe quem são os pilantras e quem não é, quem faz o quê... Um detetive particular numa pequena cidade seria uma figura grotesca, uma espécie de palhaço da turma. O investigador está intimamente ligado à cidade grande, porque é nas cidades grandes que você se perde, que o assassino se dilui na multidão e esse é o clima, por excelência, da investigação policial”.

Estilo Garcia-Rosa

O detetive Espinosa surgiu de um caso policial nada convencional, o que certamente chamou a atenção da crítica e do público e garantiu o sucesso de Garcia-Roza em sua primeira ficção publicada. Logo na primeira página da novela, o leitor se depara com a cena de um suicídio. “A novela policial é muito mais do que descobrir quem matou. O próprio crime, o assassinato, é uma coisa muito mais complexa que descobrir quem atirou, quem enfiou a faca, quem envenenou. Então, para quebrar logo essa coisa mecânica de quem é o assassino, eu já o ofereci no final da primeira página, e ele era a própria vítima, foi um suicídio”. A história se desenvolve sob duas perspectivas: a do leitor, com um narrador revelando todos os pormenores das cenas, e a do inspetor Espinosa, que conta apenas com as suas conjecturas e os indícios descobertos pela polícia.
Em sua estreia, a narrativa de Garcia-Roza surgia com riqueza de detalhes descritivos, num agradável universo de cenários cariocas, com diálogos, na maioria das vezes, suprimidos pelo resumo dos discursos indiretos, que davam agilidade e fluência ao seu estilo. Em 2009, o autor já contava com nove histórias publicadas, todas pela Companhia das Letras, estando Espinosa presente em 8 delas. Seu nono livro é O Céu dos Origamis, Espinosa há muito já se tornou delegado e os personagens já se dão à liberdade de conversarem diretamente entre si, com falas mais longas e descritivas, confundindo-se com o próprio narrador. “As mudanças foram acontecendo intuitivamente. Sou um escritor inteiramente selvagem. Não passei por uma depuração de aprendizagem, teórica, em oficinas literárias. Fiz as minhas mudanças, para o bem ou para o mal, sem sequer saber que as estava fazendo, sem parar ou deliberar que realmente estava fazendo aquilo”.

Espinosa

Espinosa fez tanto sucesso que, por hora, não pretende se aposentar. No entanto, ao longo dos tempos, Garcia-Roza se preocupa em dar historicidade ao detetive. Imagina que possa fazer outras histórias em que Espinosa não figure, mas não é uma preocupação ou projeto para o momento. O único instante em que o delegado descansou até agora foi em Berenice Procura, sexto romance do escritor. Ele conta a história de uma taxista que fica sabendo de um assassinato pelos arredores e se interessa tanto que passa a se comportar como um detetive.
Mas o delegado Espinosa ganhou vida, encorpou-se e tem alma. O autor poderia até matá-lo, mas teria coragem? Há afeto no olhar de Garcia-Roza ao falar do detetive. Não é à toa que deu-lhe o nome de um filósofo por quem parece nutrir grande simpatia, Spinoza, um dos grandes racionalistas do século XVII. “Há alguns pontos em comum entre eles. Tanto um como outro não tem nada de super-herói. O Espinosa não é um delegado de polícia de filme americano, ou o investigador privado, o homem de ação, aquele de socos, etc. Ele é manso, suave, quase doce. Mas sem ser ingênuo ou conivente com seja lá o que for, que fira seus princípios éticos. Há entre ele e o filósofo essa semelhança, o pensador também era tranquilo como pessoa, embora não o fosse como filósofo; seu pensamento é de uma intensidade, de uma força estupenda e se recusa a obedecer a exigências morais, não éticas, do credo A, do credo B, tanto que foi excomungado pela igreja. Mas como pessoa era tranquilíssimo, honesto e profundamente ético. O Espinosa delegado é um pouco assim”.
Esse jeito que, segundo o autor, confere uma integridade ao detetive, faz transparecer certa inadequação de Espinosa ao ambiente policial a que pertence. Ele se envolve com os personagens da investigação, se deixa levar pela cidade, pelas paixões. Mas é essa empatia que muitas vezes define a solução de um caso, mais até que as descobertas dos indícios materiais. “Espinosa é um excêntrico, um estranho no ninho. Ele não tem as características de um policial, o que nem sempre pega muito bem... Ele pode ser visto como um leniente, inapto para a profissão, ignorante nas práticas investigativas, mas isso faz parte do caráter dele e é um subterfúgio para, passando por ingênuo, retirar do suspeito o que pretende. Espinosa vê o crime sobretudo como um enigma, como algo que não tem uma única solução. A natureza do enigma é a sua ambiguidade, ele tem uma verdade, mas ela não se mostra inteiramente para você. E esse é um ponto comum da investigação policial, psicanalítica e filosófica também”.

Romance policial no Brasil

Diante dessa construção pouco convencional do detetive excêntrico, perguntamo-nos de que fonte terá bebido Garcia-Roza, além dos clássicos estrangeiros, da filosofia e da psicanálise. Haveria no Brasil um expressivo número de autores do gênero policial? “ Eu não faço distinção entre as minhas leituras de escritores estrangeiros e brasileiros. Leio bastante, mas não é pra aderir a nenhum modo de escrever... Leio por prazer, sou um leitor impressionista. Não sou analítico, teórico da minha leitura. A não ser o mínimo de crítica que temos que ter para distinguir se estamos fazendo uma boa ou uma má leitura”. O autor, no entanto, não cita nomes de escritores brasileiros adeptos do gênero em que atua. “Eu acho que ainda não dá pra falar no Brasil em literatura policial e sim em autores brasileiros que escrevem livros policiais. Não há nada a destacar num campo tão pequeno... Acho sim que esse campo ainda vai produzir muita coisa. Já há solo suficiente pra novos autores policiais surgirem... O que há é bom, até porque os que não são, não foram publicados...”

Inspiração e desamparo

Como o próprio Garcia-Roza confessou, todas as suas escolhas profissionais estão interligadas por uma mesma interrogação, essa que pontua as questões fundamentais do homem. Ele traçou um caminho de muito estudo, antes de se dar a liberdade de criar um universo de ficção para atuar. Somente aos sessenta anos de idade, apresentou o método Espinosa de investigação ao mundo. Alguém teria dito numa feira de livros no interior que o professor escolheu o caminho mais fácil, que seria o da criação ficcional. Para os maiores interessados em literatura, essa é uma colocação até mesmo risível. “É uma ingenuidade dizer isso... Eu acho muito mais difícil escrever ficção. No trabalho teórico, você está sempre protegido de seus pares, comentadores, analistas daquele tema, o próprio autor que se está estudando ou a própria teoria. Quando me propunha a fazer algum trabalho teórico, nunca me senti sozinho, pelo contrário, às vezes eu me sentia até excessivamente acompanhado. No caso da ficção, você é inteiramente desamparado”.E será que resta dúvida aos leitores de ficção sobre a solidão do processo criativo? É por isso que o autor se retira diariamente de sua casa, onde vive com a esposa, também escritora, e se refugia entre os sons da cidade e a vista da Marina. “O autor literário é o desamparado por excelência, não tem a quem pedir socorro, ajuda... O escritor de ficção é um ser absolutamente isolado, é senhor de sua criação. E pode ser um bom ou um mau deus, mas é ele que vai criar o seu universo”.


VOMITADO POR Gato sem olho 8:45 PM Sacô? Esteja à vontade...

Sexta-feira, Janeiro 13, 2012  


A história de ninar de hoje


“Filho, sabe o que nos deixa felizes, o que não nos adoece? É o que você me disse dia desses, é fazer.
Sabe o que eu já consegui fazer? Lembra minha matéria sobre o Zé do Caroço? Ele estava numa música, fizeram pra ele, eu quis conhecer o personagem. É como conhecer ao vivo o Cebolinha, sabe? Conhecer de verdade quem está dentro das histórias. Então eu gostei muito do Zé do Caroço e queria ir até ele. Mas ele já morreu, então eu quis estar com as pessoas que estiveram com ele, conversaram, viveram junto. Aí eu procurei até encontrar a casa do Zé do Caroço e eles me contaram histórias e eu fiz a matéria. Ainda vou contar mais coisas.
E agora, o que me deixa feliz e de pé? Você sabe pra onde vai o nosso lixo? Tudo isso que polui e mata os peixes, que devia ser reciclado? Aqui no Rio, quase todo o lixo ia pra Gramacho, um lugar numa cidade vizinha, e que fica pertinho do mar, da Baía de Guanabara. É tanto lixo, de mais de trinta anos, que é da altura de um prédio. E sabe quem fica lá? Nesse lugar tem pessoas muito pobres, que desde criança trabalham ali e nem podem terminar de estudar e aprender uma outra profissão. Elas ficam muito tempo dentro do lixo, naquele fedor horrível, se machucam, ficam doentes, para ganhar dinheiro pra viver. E sabe o que elas fazem lá? Elas fazem o trabalho dos mais importantes de salvar o mundo, catando o lixo para reciclar. Esse lixo pode cair no mar a qualquer momento e seria um desastre!
Mamãe quer descobrir o que vai acontecer com essas pessoas heroínas, se o governo vai ajudá-las a viver melhor, se vai ajudá-las a reciclar sem ficar dentro do lixo. Isso me deixa feliz!
Você... Você desenha, inventa histórias, você é assim, você faz e isso te deixa feliz. Mamãe ainda está um pouco doente, mas aos poucos estou aprendendo a fazer. E o seu pai? Bem, ele ainda não faz e isso o deixa muito triste, ele não encontrou força pra fazer, essa doença se chama depressão. Espero que você mostre a ele como fazer.”


VOMITADO POR Gato sem olho 11:07 PM Sacô? Esteja à vontade...

Sábado, Novembro 26, 2011  


Zé do Caroço

Minha matéria de radiojornalismo está na radiotube, sobre o Zé do Caroço, aquele personagem da música da Leci Brandão, que até o Seu Jorge canta. Quem quiser saber mais sobre ele, pode perguntar, que eu vou buscar descobrir. Ouçam e comentem, ele merecia!

http://www.radiotube.org.br/detalhes.php?id=10400&opt=11&ord=0&crt=&us=2335&cm=

(não tou conseguindo incorporar e colocar no blogger da globo.com. tão me boicotando por ele ser antigo e grátis. Copia e cola, valeu?)



VOMITADO POR Gato sem olho 3:59 PM Sacô? Esteja à vontade...

Sexta-feira, Outubro 21, 2011  


Resposta à DM do prefeito Eduardo Paes sobre o prejuízo do ensino religioso nas escolas municipais


O twitter é realmente uma ferramenta de grande potencial democrático, onde é possível manter contato direto com nossos representantes e outras instituições importantes. Não há facebook que substitua essa ferramenta de perguntas e respostas objetivas; é ali que pequenos e grandes acontecimentos políticos podem acontecer.
Não haveria melhor lugar para questionar o prefeito Eduardo Paes pessoalmente sobre a sanção da lei 5303/2011, que institui o ensino religioso nas escolas do município e que considero tenebrosa.
gatosemolho Aurea Maria Xavier 
@eduardopaes_ E se crianças ateias começarem a sofrer bulliyng nas escolas por não ter opção religiosa? O que o município fará???
gatosemolho Aurea Maria Xavier 
@eduardopaes_ Como o município atenderá à demanda das diversas crenças no território? Qualquer crença será atendida? Direito a todos!
gatosemolho Aurea Maria Xavier 
Católicos, protestantes, budistas, muçulmanos, ateus, umbandistas, agnósticos, satanistas, wicca e mais coisas de que nunca ouvi falar...
gatosemolho Aurea Maria Xavier 
Como oferecer em igualdade de condições a prestação religiosa nas instituições de ensino? O prefeito não pensou como representante do povo..
gatosemolho Aurea Maria Xavier 
Texto da lei sobre ensino religioso nas escolas do município do Rio:bit.ly/piblBJ
eduardopaes_ Eduardo Paes 
@gatosemolho ser'a facultativo
gatosemolho Aurea Maria Xavier 
@eduardopaes_ O ensino religioso privilegia uns e prejudica tantos outros. Atende apenas a um grupo entre tantos. Onde fica o estado laico?
E por DM, o senhor prefeito: eduardopaes_
prejudica quem?

Então, senhor Eduardo Paes, nós vivemos em um estado laico, onde se preza a igualdade entre cidadãos em matéria religiosa, além de ser um país de vários credos. A matéria da lei não especifica que educador religioso será esse, mas independente da religião que ele professe, muitos – ou alguns, ou apenas um que seja – alunos não compartilharão das ideias que serão “lecionadas”. Deus não é uma sintonia entre os povos; deus não existe na vida de muitas pessoas. Ou o professor de religião não terá muito o que fazer dentro das escolas ou então quem não terá o que fazer serão algumas crianças. Lesadas por um horário a menos no seu currículo escolar, lesadas pelo embaraço de não compactuarem com a crença de outros colegas ou até mesmo pressionadas a mudar de opinião por conta do preconceito implícito nas pessoas de que o ponto de vista dominante é o correto. A religião está bem presente na vida de quem a quer. As instituições estão aí, de portas abertas gratuitamente para pais e filhos. É necessidade particular de cada um. A criança não deve se submeter a determinados testes de opinião, porque ela ainda não é capaz de se firmar em pontos de vista. A oferta de um determinado credo na escola em detrimento de outro pode induzir a criança à ideia de que a cultura passada por seus pais é errada, é inferior, pois a escola só lhe oferece a crença do outro. A ideia de ensino religioso é de alguém que lembra da sua própria crença, esquecendo-se da dos outros. Mais um motivo para bullying nas escolas – exatamente porque crianças ainda não aprenderam o suficiente de democracia e liberdade. Por que não uma lei que institua o ensino de cidadania, de respeito à diversidade? Por que não ensinar política e economia às crianças? Por que religião? No nosso currículo, precisamos de um ensino que agregue e as especificidades de cada crença não permitem isso dentro de uma escola municipal, que deve acolher crianças de todos os cantos da cidade.


VOMITADO POR Gato sem olho 8:16 PM Sacô? Esteja à vontade...

Sábado, Setembro 24, 2011  


Problemas no trabalho : a gente sempre pensa como resolvê-los (e eu sou franca)


Penso sim muitas coisas a respeito do que poderia melhorar por aqui. Mas no auge do cansaço e da frustração de não obedecer a mim mesma quando digo que vou chegar à faculdade e vou dar conta de tudo que defini como minha meta para determinado dia, acabo me surpreendendo com a pergunta e esquecendo a resposta que tenho a dar.
Não penso que a melhoria do nosso serviço se dê pela implantação de mais um novo método taylorista de produção. Nós já avançamos bastante com a produção da Secretaria. Acho que o progresso depende muito agora de uma maior atenção à gestão de pessoas.
Ao entrar para o serviço público, sempre estive muito certa que o melhor que eu pudesse dar, eu daria. Considerando que, no trabalho, eu devo dar o melhor de mim, pois se não for assim não estarei sendo uma boa profissional, a função comissionada, para mim, não passa de uma recompensa financeira – o que é muito pouco para um ser humano, que se carrega de sentimentos, emoções e outras necessidades mais urgentes – que a minha chefia achou que era justo oferecer, pelo serviço que estou prestando, levando em consideração a existência dessa função, as atribuições de atividades inerentes a ela, pelo seu grau de complexidade e a responsabilidade gerada por ela. Então, para mim, função dentro do serviço público, e nas condições que as varas do trabalho a detêm, não passa da destinação financeira e do título a um servidor que já desempenha um serviço essencial, desde que assumiu o compromisso com a Administração Pública de integrar o seu corpo. Com ou sem função, dizer que posso dar mais do que já me doo, pela responsabilidade que assumo ao lidar com a coisa pública, é uma mentira. Não acho que seja bom profissional aquele que dependa de qualquer gratificação para fazer mais, quando essa produção está perfeitamente ao seu alcance. Em contrapartida à minha dedicação, espero respeito às minhas necessidades de saúde, de descanso e de paz de espírito. Quem trabalha 8h dedicadas não tem mais para onde ir. Ir além significa produzir menos e causar danos à Administração, uma vez que o trabalho apresentará maiores imperfeições. Eu, como servidora, tenho a consciência plena do meu dever. Se a Administração entende que minha resistência a ir além é fruto de minha incompetência, estou pronta a servir num almoxarifado, que seja. Mas, com um sorriso no rosto, mantenho a consciência de que, com tal ato, quem perde é a própria Administração. Ter a consciência do próprio dever e das minhas capacidades é um bem que nenhum ato autoritário poderá me tirar. Ou de qualquer ser humano que se conhece bem e tem o que oferecer.
Acredito também que um ambiente de trabalho onde as pessoas não se dão as mãos e não trabalham em equipe, ambientes tensos, essas imperfeições se antecipam ao horário limite de cada pessoa. Acho que devemos criar um ambiente ético entre os colegas, em que esperamos do outro um motivo justificável para determinada atitude. O ambiente em que, antes de esperarmos a culpa alheia, buscamos com autocrítica os erros em nós mesmos. E tentamos, antes de tudo, adequar o trabalho às limitações de cada um, oferecendo e negociando com o colega o que o faz produzir mais e melhor.
Acho mesmo que deveríamos evitar tecer qualquer crítica a um colega de forma precipitada. Pois isso estraga o ambiente. Para trabalhar coletivamente, precisamos nos entender coletivamente, e não pelos cantos, insatisfeitos com um ou com outro, sem lembrar que todos nós temos problemas e, se hoje acontece com um colega, amanhã pode acontecer conosco.
Em termos práticos, acho que se há problemas que dividem a secretaria, devemos tentar torná-la uma unidade. E a unidade só se consegue com a cooperação de todos e não com a imposição da ideia de alguns. Precisamos discutir as mudanças e entender suas melhorias. Precisamos valorizar as ideias de cada integrante da Secretaria, porque o desmerecimento gera uma insatisfação tão grande que onera a Administração. Precisamos que todos na Secretaria se sintam valorizados. Não devemos nos desesperar com as falhas dos outros porque nós mesmos erramos. Devemos valorizar os acertos e ressaltar o que se deve fazer para obtê-los.
Acho que deveríamos implantar um relatório diário de produção individual, preenchido por todos da Secretaria. Esse relatório não é instrumento de opressão, mas uma medida que visa corrigir qualquer injustiça presente no nosso ambiente de trabalho. Ele pode servir de parâmetro para a redistribuição de tarefas, que atualmente oneram muito um colega enquanto outro não está tão sobrecarregado assim. O relatório é útil para mapear o trabalho na Vara e também para uma distribuição mais igualitária das tarefas, evitando troca de acusações e conflitos desnecessários. Esse mapa de serviço também é uma forma de visualizar as atribuições da secretaria com os respectivos graus de dificuldade das tarefas desempenhadas nela. E um instrumento de autocrítica a todos os servidores da Vara .
A partir de um relatório de produção individual e de pesquisa de satisfação entre os colegas, acho que podemos descobrir as atividades com que cada um possui maior afinidade e tentar redistribuir tarefas a partir das capacidades e interesses individuais. Se um colega não se adapta a determinada atividade, antes de desmerecê-lo, devemos oferecer uma outra mais próxima de sua realidade. Antes de levar as falhas do colega a qualquer pessoa, acho fundamental que elas sejam levadas a ele próprio!
A flexibilidade no trabalho é fundamental para a satisfação e melhor produção da equipe. E é uma vantagem a ser discutida com todos, dentro das possibilidades da Secretaria. Essa discussão não deve ser decisão de alguns e imposição a outros. A flexibilização do horário deve ser um instrumento capaz de aumentar a produtividade. O servidor satisfeito sempre produzirá mais. Se todos temos os nossos problemas, nada mais justo que nos seja permitido resolvê-los, desde que cumpramos com as metas possíveis de serem realizadas. É perfeitamente possível que um colega saia em determinado horário – ou chegue em outro – só devendo se responsabilizar para que o trabalho realizado por ele seja equivalente ao realizado por qualquer outro colega da secretaria, levando-se em consideração o grau de complexidade e tempo para realizar cada uma das atividades. Se chegarmos ao ponto de acúmulo de trabalho ou discrepância na qualidade do que é produzido, cabe o diálogo – antes de qualquer queixa – em que leve em consideração a deficiência encontrada no trabalho e uma dedicação maior até mesmo de tempo para o servidor sanar suas próprias falhas e recuperar a credibilidade para o desempenho de sua função. Acho que devemos deixar claro que não há empecilhos ao cumprimento de um horário alternativo, se cumprimos nossas metas de produção, igualitariamente distribuídas pela vara.
O que divide o ambiente de trabalho essencialmente é o sentimento de que ali não existe isonomia. Acho que os relatórios poderiam deixar claro a distribuição de tarefa, serviriam de parâmetro para todos saberem o que temos que dar conta. Dividiríamos como uma equipe. Aí sim, seria mais fácil dizer “todos precisam se adequar”. E quando há essa distribuição igualitária e o trabalhador afirma que ele pode produzir aquilo e mesmo assim cumprir as horas até um limite, por conta de suas necessidades, ele irá produzir. Às vezes, ficará além do seu horário para cumprir as metas pessoas que estabeleceu para si. E produzirá feliz porque ao fim de tudo há compensação.

Os colegas estão insatisfeitos e muitas vezes eu fico também com determinadas medidas assumidas pela instituição e interpretadas na secretaria. É triste quando me desdobro – porque é o meu compromisso pessoal – e imagino que criticam desnecessariamente o horário que cumpro. Ou quando ouço dizer que cometi um erro e que isso virou assunto, quando sequer tive a oportunidade de entender que erro foi esse. E me sinto muito tranquila quando erro porque isso é natural no desempenho de qualquer tarefa que se está conhecendo. Tenho direito de errar, como qualquer pessoa. Fico insatisfeita quando ouço algum comentário depreciativo de algum colega a respeito de outro. Quando ouço julgamentos injustos e totalmente desnecessários. Isso acontece vez ou outra na Secretaria e acontecia no Ministério do Trabalho, ambientes tensos de trabalho. Qualquer pessoa que faça esse tipo de comentário, seja pelo nível de tensão que esteja enfrentando, está errada – mas é humana e é justificável. Se passaram pessoas por aqui que cometeram esse erro porque é que nós, que fomos os primeiros a condenar, vamos repeti-lo?
Diante dos problemas que encontramos, acho que devemos tentar resolvê-los, antes de tudo, com um sorriso no rosto e a introspecção da autocrítica. Porque, independente de quem está do outro lado, só podemos garantir a nossa consciência e que façamos o melhor possível.


VOMITADO POR Gato sem olho 12:29 PM Sacô? Esteja à vontade...

Terça-feira, Junho 14, 2011  


Cidade Natal

Acontecimentos miseráveis costumam durar mais dentro de mim que qualquer coisa boa. Eles ocupam minha mente com lugares onde não quero estar e com imagens que não faço a menor questão de ver. Recentemente, eles me conduzem pela cidade onde nasci. E eu costumo repudiar esse lugar.

Depois de colocar todos os defeitos do mundo no local onde vivi por uns 25 anos e de me incomodar com as posturas e feições de seus habitantes, de inventar que precisava de outro lugar, de conseguir outro lugar – e ser aquele que eu quero – , passo boa parte do meu tempo lembrando de ruas feias por onde estive, das noites vazias, das minhas insônias, dos eventos, do vento gelado, de uma tristeza sozinha, dos medos que tive, dos amigos que não entendi, de todas as coisas que lá ficaram. Não consigo viver plenamente a nova vida, aquilo lá me cutuca. Um acontecimento miserável me obriga a lembrar que tenho passado e atira sobre mim essa mala, exige que eu a carregue, que me vire, preciso ajeitá-la na vida, é minha. Preciso ir a Campos, resgatá-la, trazer para minha nova fase e não me incomodar com sua existência.

Deve ser muito estranho esbarrar com alguém que mantém problema tão pessoal assim com uma cidade. Eu mesma já não consigo conviver comigo cheia de rancor desse lugar chamado Campos dos Goytacazes. Se a cidade tem um espírito vivo nela e eu pudesse crer em vidas passadas, nós teríamos sido antagonistas uma da outra em algum momento. Devemos ser agora, mas como ela por si não fala, está incomodando arrumar confusão com quem se cala. Não quero viver assim, caçando encrenca, se não com ela, com seus piolhos. E é isso que preciso corrigir: conviver com aquilo que se gosta, deixar viver distante quem não gosta e sobreviver àquilo que se foi.

O problema é que Campos me pariu. Cresci com esse alfabeto mais pesado. E tudo começa no peso da educação que nos é dada, como metal pesado na água que bebemos diariamente. A gente aprende a responder tudo com uma corrente amarrada no cérebro, as respostas vem cheias de vírgulas, em parágrafos gigantes, cheios de detalhes inúteis. Pensamos complicado, esquecemos o ponto chave. O que a gente diz é oco. Vivi atormentada com a farsa de meus louros. Mas o pior não é o tormento de sentir-se farsante, mas de conviver amigo de quem não se importa em viver essa farsa.

Um forasteiro ou um nativo bem acomodado não enxergarão gravidade alguma para tamanho ressentimento. E eu não posso dizer aqui que estou cheia de razão e que é assim mesmo. Mas que são motivos graves para mim são. Até determinado momento, eu era boa o suficiente para a província, mas jamais para o mundo. Poderia ser acobertada a vida toda por eles e isso me pareceu muito ofensivo. Participar da grande seita da “prata-da-casa” e conformar-se com a província é um convite a permanecer no estágio de pupa por toda vida. Eu havia conhecido coisas maravilhosas, pude me apaixonar por elas e a cidade continuava oca.

Tudo àquela época parecia tão frio e triste, exceto os meus sonhos. Sonhar era, não posso dizer que alegre, era alucinado. Os sonhos me mantinham viva, não eram a liberdade e sim um protesto. E as paixões tem muito mais a ver com o protesto que com a liberdade. O amor é a liberdade.

Em Campos ficaram meus sonhos, uma bagagem de estranheza sobre o mundo vazio e triste, sobre aqueles amigos de semblantes trágicos e vidas obscuras, e as histórias improváveis por trás das aparências insuspeitas. Ali está a piedade que muito me incomoda sentir. É um dos filmes mais tristes a que quero assistir. Talvez seja a história inusitada que quero aprender a contar: da minha estranha e antagônica cidade natal.



VOMITADO POR Gato sem olho 11:52 PM Sacô? Esteja à vontade...

Sábado, Junho 11, 2011  


Depois de meses, estou de volta, postando uma matéria que fiz para a disciplina Redação e Expressão em Jornal Impresso Cotidiano, da Faculdade. Acho que o assunto é interessante, embora eu ainda não tenha aquela mão pra escrever, quanto mais um texto jornalístico.

Crianças em Vila Isabel aprendem a fazer Jornalismo Comunitário



A recuperação da memória da comunidade é o mais novo desafio para as crianças do Morro dos Macacos, após a implantação da UPP em Vila Isabel. O Centro Comunitário Lídia dos Santos (Ceaca-Vila), em suas atividades desenvolvidas com crianças de 11 a 14 anos de idade, está promovendo o Mergulho na Comunidade, um trabalho de pesquisa idealizado logo após a pacificação na região, que tenta recuperar, através da produção de jornal mural bimestral e vídeos, a história que foi sendo esquecida enquanto o medo imposto pelo tráfico dominava os moradores. O morro, após anos de silêncio, retoma a possibilidade de jornalismo comunitário.

A associação de moradores da região foi criada no ano de 1962 e, desde o início, mantinha um serviço de alto-falantes muito útil à população local, atingindo o Parque Vila Isabel e o Morro do Pau da Bandeira. Trocavam-se informações, anunciava-se o que acontecia na comunidade. Era um serviço similar às rádios. “À tardinha, tocava-se músicas românticas, as pessoas dedicavam umas as outras... Era uma época bucólica”, lembra dona Anna Marcondes, fundadora e presidente do Ceaca-Vila.

Zé do Caroço, personagem da famosa música escrita por Leci Brandão, é da época do alto-falante em Vila Isabel. Foi um dos diretores da associação e levava e trazia notícias do Morro do Pau da Bandeira, onde morava muita gente do norte do país, conforme relata dona Anna. O serviço de alto-falantes serviu à comunidade por pelo menos 24 anos, até que o tráfico se instalou na associação e pouco a pouco os moradores começaram a silenciar.

Por anos, projetos subiram e desceram o morro sem muito sucesso. Uma das mais importantes tentativas de se dar voz ao Complexo dos Macacos durou sete anos, com a professora de Comunicação Social da UERJ, Luiza Helena Mariani. Entre 2000 e 2007, a professora desenvolveu uma Oficina de Jornalismo nas dependências do Ceaca-Vila com turmas de alunos de 10 a 11 anos e 13 a 16 anos. Os jovens estudantes de comunicação colhiam informações na comunidade e publicavam jornal mural. “Como não tínhamos câmeras, as crianças desenhavam. E era incrível que, em meio a tanta violência, elas ainda conseguissem desenhar cenários de sol e alegria”, diz a professora. A época era de muito medo. Entre as aulas, ouviam-se tiros do conflito entre facções criminosas rivais. Alunos iam e vinham entre o jornalismo e a vida errante.

A professora Luiza pôde falar sobre sua experiência com o Jornalismo Comunitário no Morro dos Macacos no Grupo de Trabalho sobre Cidadania e Jornalismo, do 5º Encontro Rio-Espírito Santo de Professores de Jornalismo, realizado na UERJ, dia 27 de maio de 2011. Muito emocionada, lembrou a época em que viveu medo e comunhão entre os moradores da comunidade: “É como se o morro fosse um grande quintal. E nós queríamos fazer a integração do morro com o asfalto”. Mas a comunidade vivia em um cenário de guerra em 2007, havia muita tensão por ali e o projeto não resistiu.

Agora, com a pacificação, circular pelo morro ficou mais fácil e as parcerias vão surgindo. Por todos os lados há pessoas querendo ajudar. Junto com a Petrobras, o Ceaca-Vila mantém o projeto Oficina do Saber, que mobiliza as crianças para o Mergulho na Comunidade. Personalidades ali do morro sentam-se ao lado das crianças, na Rodinha do Saber, contando-lhes histórias bem antigas. O grupo quer ir mais a fundo, diz a professora Puá Gonçalves Batista, que leciona Ética e Cidadania no Centro Comunitário. “Precisamos de pessoas que possam nos ajudar nesse trabalho de investigação, que nos ajude a fazer as entrevistas. Agora temos a oportunidade de comparar antes e depois da pacificação. É um projeto de resgate de memória da comunidade.”



VOMITADO POR Gato sem olho 1:10 PM Sacô? Esteja à vontade...

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2011  


Conversa de Jonas (5 anos) com o tio Cao, na Alemanha, através do meu gmail. Agora há pouco.

eu: agora é jonas que está falando
Enviado às 21:37 de quinta-feira

eu: papai foi a campos

Caocapoeira: foi lá fazer o que?
Enviado às 21:39 de quinta-feira

eu: não sei
Caocapoeira: e você, está fazendo o que de bom nas férias?

eu: um monte de coisas
Caocapoeira: aventuras?

eu: hoje eu vou dormir com mamãe
Enviado às 21:43 de quinta-feira

Caocapoeira: que horas você vai dormir?
já está tarde rapaz

eu: deixa eu responder essa aventuras aí.mais ou menos
Enviado às 21:47 de quinta-feira

eu:
Caocapoeira: tá bom! conta uma aventura que você fez nas férias

eu: gostou da carinha

Caocapoeira: gostei
conta uma aventura!
Enviado às 21:49 de quinta-feira

eu: na minha escola tem aquário de peixe
Enviado às 21:51 de quinta-feira

eu: eu vi o filme harry potter

Caocapoeira: e foi bom o filme?

eu: foi muito bom

Caocapoeira: tem muita aventura, né?
eu também já vi
Enviado às 21:54 de quinta-feira

eu: eu estou vendo todos toda semana

Caocapoeira: que legal!!!
muito bom

eu: eu vou dormir

Caocapoeira: está bom! boa noite rapaz
estou com saudades de você
Enviado às 21:57 de quinta-feira

eu: tchau boa noite


VOMITADO POR Gato sem olho 10:06 PM Sacô? Esteja à vontade...

Segunda-feira, Dezembro 27, 2010  


Jonas, de 5 anos, conversando através do meu MSN com o primo Daniel, em Campos. A única formatação que dei à conversa foi retirar nossos nomes escabrosos da conversa e colocar as falas de Jonas em negrito e a parte de Daniel em itálico. Não corrigi erros de português nem mudei a estrutura de digitação.

oi daniéu é jonas

eaee rapaz
tudo bem ?


muito bem

você vai vir quando pra cá ?

não sei

Ta fazendo novas historinhas ?

historia? gibi com desenhos

sim !
quando vir para cá faça um para mim


manda um desenho
vixi


rsrsrs
não eu quero uma historinha inteira
igual a que você fez pra Karina


qual eu fiz para karina

um do pica-pau

daniéu

oi Joninhas

gato fas au
ratazana


não entendi
fala de novo ?


oque

gato fas au
*ratazana


borges borges

uhm ...
e o filme vai fazer quando
?


os caça-fantasmas
buuuuuuuuuuuu
cade karina
daniel cade voce


uiiii
que medo
Jonas Preciso ir nenem
um bjinho
fica com Deus


caaaaaaade karina


VOMITADO POR Gato sem olho 12:07 PM Sacô? Esteja à vontade...

Domingo, Dezembro 19, 2010  


Mundo grande (Poema da obra Sentimento do mundo), de Carlos Drummond de Andrade


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo.
Por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens.
as diferentes dores dos homens.
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que elo estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! vai’ inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos —— voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de invidíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar.
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
— Ó vida futura! nós te criaremos

(Inspirada hoje por um programa na Multirio sobre o Drummond. É, essa poesia tem tudo a ver)


VOMITADO POR Gato sem olho 12:58 PM Sacô? Esteja à vontade...

Terça-feira, Dezembro 07, 2010  


Na falta do que postar, vou publicar o trabalho sobre o bandejão da UERJ que fizemos para Técnicas de reportagem, entrevista e... (muito grande o nome, nem me lembro todo). O trabalho é meu, da lina, da thais, do fernando e do robson. Podemos parecer uma cambada de incompetentes, já que precisou de 5 para fazer. rsrs. Mas é isso aí!

Bandejão UERJ: sonho ou realidade?
______________________________________

Após 20 anos de reivindicações de alunos e funcionários da UERJ, prefeitura dos Campi prevê funcionamento do “bandejão” para o início do ano letivo de 2011

Enfim, bandejão pode sair no início do ano letivo de 2011

Nova previsão para começar a funcionar o tão esperado Restaurante Universitário (RU) da UERJ: início do ano letivo de 2011. As informações foram passadas pelo prefeito dos Campi, professor Ivair Machado. Segundo o prefeito, após alguns atrasos nas obras do “bandejão”, a empresa responsável pela montagem do local se comprometeu a entregá-lo pronto para uso em fevereiro de 2011.
A outra etapa para a implantação do Restaurante também depende de licitação. A UERJ precisa contratar a empresa que irá fornecer os alimentos e operar o “bandejão”. O professor Ivair diz que o projeto está pronto e que a prefeitura dependia apenas da garantia de que o local fosse entregue para iniciar a nova licitação, afinal, não há como servir comida sem ter o lugar para fazê-lo. Ele diz que o edital para a contratação da
empresa deve ser publicado no mês de janeiro, em três jornais de ampla divulgação e no Diário Oficial do Estado. Todo o processo deve durar em torno de 40 dias, já atendendo aos alunos no início do ano letivo.
Ainda não se sabe quanto os alunos pagarão pela refeição e se o RU irá atender somente aos estudantes ou também a funcionários. Tudo dependerá da empresa ganhadora e dos custos apresentados. Das três universidades federais no estado do Rio de Janeiro que já possuem bandejãos implantados, a UFF possui a refeição mais acessível, custando tanto a alunos quanto a funcionários R$ 0,70; a UFRRJ cobra de seus alunos R$ 1,40 e dos funcionários R$ 4,50; a UFRJ cobra R$ 2,00 dos alunos e R$ 6,00 dos funcionários. O RU contará com uma área de 1350 m², no prédio onde funcionam o banco Itaú e o Centro Cultural da Universidade, e oferecerá 5 mil refeições diárias, sendo 2500 no almoço e 2500 no jantar. Todo o projeto nutricional foi desenvolvido pelo Instituto de Nutrição da própria Universidade, atendo-se à preocupação com uma alimentação saudável e balanceada para seus alunos. O prato será constituído por arroz, branco ou integral, feijão, salada – servida à vontade - , guarnição, carne, suco e sobremesa, permitindo-se frituras penas uma vez na semana.
O restaurante terá 364 lugares disponíveis, dois deles destinados a portadores de necessidades especiais, que terão uma entrada exclusiva no refeitório. A estimativa é que a cada 30 minutos haja um rodízio entre as pessoas. As refeições serão divididas em dois horários, com duração de três horas cada: das 11h às 14h e das 17h às 20h. Espera-se também que o espaço sirva como importante campo de estágio, pesquisa e nutrição para alunos do curso de Nutrição e outras carreiras. O engenheiro Paulo César, contratado pela empresa Cozil, que é responsável pelo fornecimento de equipamentos de cozinha e pelas obras, atribui o atraso da entrega do RU a divergências entre o edital e às demandas reais do projeto. Ele diz que as obras começaram assim que UERJ e Cozil assinaram o contrato, em agosto de 2009. O primeiro entrave, que durou até março de 2010, segundo ele, teria relação com um possível questionamento pelo Ministério Público sobre a compra de forno importado, de elevado preço. Resolvida a questão, a Cozil teria constatado a necessidade de aditivos materiais para a obra, para atender aos parâmetros de demanda do RU, investindo antecipadamente R$1.400.000,00, gerando uma discussão e impasse que duraram até outubro de 2010, quando finalmente houve a liberação da verba para os aditivos pela Universidade. Na data em que conversou com nossa equipe, Paulo César previa que entregaria o restaurante pronto para funcionar, com todos os equipamentos devidamente instalados e testados, até o fim do ano de 2010. No entanto, em vários setores da prefeitura dos Campi, a informação que obtivemos é que a previsão de entrega é fevereiro de 2011.
Contudo, questionado sobre as colocações do engenheiro da Cozil, o professor Ivair negou intervenções do MPE, informando que inicialmente a empresa havia perdido o processo licitatório e recorreu da decisão, conseguindo ao final contratar com a Universidade. Desde então, as dificuldades para a realização do projeto foram surgindo, gerando a morosidade por parte da empresa em algumas fases da obra, o que a esta altura do campeonato já deve ter se resolvido, com a liberação dos termos aditivos pela UERJ.
O “bandejão” é uma luta antiga dos alunos da UERJ, que tem suas origens na década de 1980. Em setembro de 2008, em apoio à greve dos professores, alunos ocuparam a Reitoria, tendo como uma de suas reivindicações o andamento do processo licitatório para o RU. Após 20 dias de ocupação, foi assinado acordo entre os alunos e a Administração Central da Universidade. No entanto, a licitação só saiu do papel em julho/agosto de 2009. Toda a demora no processo e ainda o atraso nas obras deixam os alunos e até mesmo funcionários um tanto quanto descrentes em relação às promessas de inauguração do “bandejão”. Até os seguranças, por quem tínhamos que passar para fotografar as obras, demonstravam curiosidade e desconfiança sobre a conclusão do projeto. Mesmo pela internet, os alunos questionam a falta de notícias sobre a construção do “bandejão”. Existe um tópico criado especialmente para o assunto na comunidade da universidade no Orkut, onde alguns falam com esperança e outros fazem piada. Alguns acreditam que a questão é econômica - falta dinheiro para a construção e manutenção - outros acham que a burocracia seja o principal fator que atrapalha no andamento do projeto. As questões economia de dinheiro e qualidade na alimentação aparecem em primeiro lugar nas entrevistas como os maiores benefícios do bandejão.
O aluno Diedro Barros, integrante do Cacos (Centro Acadêmico de Comunicação Social) diz que “o bandejão é uma reivindicação histórica dos estudantes da UERJ, como um dos pontos principais das políticas de permanência para o pessoal de baixa renda. Quase todas as universidades ou Centros Universitários geridos pela iniciativa pública tem seus RU's, o que é uma forma de manter a comunidade acadêmica mais próxima no que diz respeito ao tripé ensino-pesquisa-extensão.”
Depois de tantas promessas e nenhum resultado prático, Renan Massoto, aluno do 3º período de Jornalismo da Universidade, considera que “o restaurante universitário seria ideal para oferecer comida saudável por um preço razoável”, mas alerta sobre a demora da concretização do projeto, “é importante que saia logo do papel!”
Aluno de economia e diretor do DCE da UERJ, Alan Scarpari conta que o valor da refeição para alunos cotistas não será o mesmo pago pelos outros alunos. “Vai ter um subsídio do governo do estado para os estudantes cotistas, o governo pagará uma parte do prato universitário e o estudante cotista outra.” Alan ainda diz que a ideia é que “o acesso ao Restaurante universitário só seja permitido aos que possuírem um cartão magnético, que identificará se a pessoa faz ou não parte da UERJ.”
A expectativa é que ao fim da obra no campus Maracanã, construam-se em outros campi da UERJ mais restaurantes universitários. “O Reitor pretende construir um restaurante na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF). Já fizemos um estudo preliminar e possivelmente no segundo semestre imaginamos que possamos iniciar os trabalhos, desde que exista disponibilidade financeira”, declararam as professoras Daisy Wolkoff e Patrícia Perez na edição do 3º trimestre de 2010 do jornal institucional UERJ Em Questão. Pretende-se também construir um restaurante na Faculdade de Formação de Professores (FFP), em São Gonçalo.

(P.S.: Eu tirei um monte de fotos - que ficaram ruins - coloquei umas 3 no trabalho, mas não tenho mais paciência pra postar aqui. Valeu!)


VOMITADO POR Gato sem olho 11:42 PM Sacô? Esteja à vontade...

Quarta-feira, Outubro 13, 2010  


Semestre passado fiz um trabalho pro curso de Comunicação Social que consistia numa matéria sobre um tema escolhido.
Futucando o site do senado, descobri um Projeto de Emenda a Constituição que deu origem a essa "matéria".
Sei que ainda deixamos muito a desejar, quanto mais quando alguém como eu, uma aluna totalmente irresponsável e preguiçosa, faz parte do projeto. Mas resolvi postar aqui o que fizemos, com o intuito de informar a quem interessar possa. Isso é coisa de interesse público. Esforcem-se para ler que sairão com algo que importa a todos aqueles que se interessam por educação no país. tenho muitos semestres pela frente para lhes fazer matéria decente. Até porque, devo confessar, sou uma pretensa jornalista totalmente alienada, que há muito não lê jornais, nem sequer vê um noticiário na tevê. É isso mesmo: sou uma negação! mas pretendo melhorar até o fim do curso. E eu sei que posso dar a você coisas muito boas.
Segue o trabalho:


Universidades públicas: trabalhar de graça ou pagar?

Projeto de emenda à constituição prevê a obrigatoriedade de retribuição, ou por prestação de serviços à comunidade ou financeira, para os que usufruem de gratuidade no ensino superior


Um novo texto pode passar a integrar o artigo 208 da Constituição Federal, que trata sobre “o dever do Estado com a educação”.

“§ 4º Os estudantes das instituições de educação superior que tenham gozado de gratuidade em seus cursos de graduação e pós-graduação, retribuirão, na forma da lei, os investimentos públicos em sua formação por meio de:

I – prestação de serviço à comunidade na área de habilitação profissional ou;

II – contribuição financeira ao ente federado responsável pelo financiamento de seu curso, para uso prioritário na expansão de vagas na educação superior gratuita”


Trata-se de uma Proposta de Emenda à Constituição, PEC, iniciada no Senado Federal, de autoria do Senador Valter Pereira (PMDB-MS) e assinado por pelo menos um terço dos senadores do Congresso Nacional. Ele tramita na casa legislativa desde outubro de 2009 e já teve parecer favorável do, então relator, Wellington Salgado de Oliveira, presidente da Associação que mantém a Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO – e primeiro-suplente do senador Hélio Costa.

Atualmente, com o retorno do titular Hélio Costa ao Senado, a matéria encontra-se com nova relatoria deste senador, a emitir novo parecer.

Segundo o antigo relator Wellington Salgado, “A novidade é que graças a uma nova receita, cobrada de quem tem capacidade contributiva gerada pelo diploma profissional e orientada direta e exclusivamente para a expansão da educação superior pública e gratuita das instituições federais e estaduais, poder-se-á, em curto prazo, dobrar o número de vagas e constituir uma fonte de crescimento permanente de recursos públicos para as universidades. Nada obsta, também a que a lei que regulamentará esse novo dispositivo do artigo 208 da Constituição preveja o investimento de recursos da receita da nova contribuição dos egressos para programas de bolsas de estudos integrais em instituições privadas que já aderiram a esquemas de gratuidade.”

A retribuição prevista no novo texto dado à constituição ainda teria que ser regulamentada em lei, o que não deixa claro aos atuais estudantes como ficaria a sua situação para com o Estado, caso a PEC fosse aprovada. O autor do texto conta que “as Prefeituras e a sociedade em geral contariam com o 'sangue novo', o entusiasmo e a competência de jovens graduados em serviços comunitários hoje inviáveis. Constituiria, inclusive, numa alternativa ao serviço militar dos rapazes e uma oportunidade de empregabilidade, principalmente para as jovens formandas. (…) Seus diplomados, que não optassem pelo serviço comunitário, retribuiriam os gastos públicos em sua formação com o pagamento de contribuição financeira. Tanto o serviço comunitário como a contribuição financeira seriam objeto de regulamentação em lei da União ou do ente federado responsável pelo financiamento de seu curso. Assim, evita-se o caráter de compulsoriedade da prestação de serviço comunitário, que muitas vezes é incompatível com as circunstâncias da carreira profissional do diplomado, ao tempo que não se quebra o princípio constitucional e as políticas de gratuidade, responsável pelas metas de universalização do acesso. Os valores com que a União , os Estados e o Distrito Federal poderiam contar, com a contribuição de um número crescente de egressos, como fonte suplementar de recursos, seriam usados prioritariamente para a expansão das vagas, também na forma das leis supracitadas, criando um círculo virtuoso de financiamento da graduação e da pós graduação.”

O estudante André Crespo Machado, no 1º período do curso de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, levanta questões “De que maneira a aprovação e posterior regulamentação irá ampliar o número de vagas em universidades públicas? Quem garante que tais contribuições de ex-alunos, ao final do curso, financiarão a universidade? Vendo as condições atuais das instituições públicas e sabendo que há verbas que deveriam ser destinadas a elas, imagina-se que há algo errado... Será mesmo que mais contribuições melhorarão as condições?”

O atual texto constitucional diz que “o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”. O estudante de Jornalismo, aluno da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, do 3º período, Fernando Borges diz que “a constituição brasileira prevê que o acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público de qualquer cidadão, ou seja, é uma arbitrariedade esta proposição; pagamos impostos para isso, se faltam vagas nas universidades, isso é um problema de gestão de governo, e eles é que tem de resolver esse impasse. Vejo essa proposta como um absurdo; apesar de formados, os ex-estudantes universitários, em sua grande maioria, não dispõem nem de tempo nem de dinheiro, para dar esse tipo de 'retribuição' à sociedade."

Embora as universidades particulares desempenhem uma atividade econômica e funcionem conforme as demandas de mercado, para o senador Valter Pereira “As universidades federais e estaduais oferecem, a cada ano, somente 600 mil vagas de ingresso nos cursos de graduação, enquanto as congêneres privadas dispõem de quase dois milhões de vagas. As públicas e gratuitas são quase todas preenchidas, e as pagas ficam em grande parte desocupadas.”

Ainda segundo o senador, “A gratuidade do ensino é uma das conquistas mais marcantes das modernas sociedades, pois ela socializa os gastos e garante aos menos favorecidos a elevação de sua escolaridade.” Para ele, “esta proposta de emenda à Constituição quer é promover um ato de justiça. Por ela, os cidadãos que têm oportunidade de cursar universidades públicas e gratuitas passam a retribuir, de forma objetiva, à apropriação por eles efetuada dos recursos de impostos pagos por todos que financiaram sua formação.”

O estudante de Direito André Crespo acha que “se tal emenda for implementada, deve-se retirar a alcunha de 'universidade pública'. Se houver a obrigação de retribuir o ensino gratuito ao final da graduação – ou pós-graduação – como se poderá dizer que o ensino é público? Quando se paga por determinado serviço usufruído, é lógico se dizer que foi uma prestação de serviço privado.”

Para o estudante do 6º período de Computação na Universidade Federal do Ceará, Abelardo Vieira, “ Se o cidadão que usou dos recursos públicos na sua graduação/pós-graduação for trabalhar no país do qual recebeu ajuda para a sua formação, então um retorno já é quase garantido via impostos, evolução tecnológica, aumento de mão de obra especializada.”

Até o momento, a matéria se encontra na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, aguardando o relatório do Senador Hélio Costa. Para que uma PEC tenha validade é preciso que pelo menos um terço da casa legislativa, nesse caso o Senado, tome a iniciativa da matéria. A PEC 47, de 2009, levou a assinatura de 29 senadores. Os nomes que esta equipe conseguiu identificar na assinatura da matéria são: José Sarney (PMDB-AP), Romeu Tuma (PTB-SP), Eduardo Suplicy (PT-SP), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Aloízio Mercadante (PT-SP), Heráclito Fortes (DEM-PB), Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), Eliseu Resende (DEM-MG), Efraim Morais (DEM-PB), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Cristovam Buarque (PDT-DF), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Tião Viana (PT-AC), Augusto Botelho (PT-RR) , Roberto Cavalcanti (PRB-PB), Flavio Arns (PSDB-PR), Jefferson Praia (PDT-AM), Fátima Cleide (PT-RO), Serys Slhessarenko (PT-MT), Aldemir Santana (DEM-DF), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Katia Abreu (DEM-TO) e César Borges (PR-BA).
O andamento da PEC 47, de 2009 pode ser acompanhado pelo site do senado, através do endereço :
http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=93765

Texto da PEC, com justificação do Senador e assinaturas:
http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=67866

Parecer do Senador Wellington Salgado:
http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/71160.pdf



Áurea Xavier, Lina Soares e Thaís Gomes


VOMITADO POR Gato sem olho 1:12 AM Sacô? Esteja à vontade...

Segunda-feira, Outubro 11, 2010  


O que Áurea ganhou de presente no dia das crianças?

Uma pizza gigante, em lugar da família, para mim, Ronnie e Jonas, na Gelateria Florença, do Shopping Iguatemi. Junto com a pizza, um refrigerante de 2 litros. Só tinha coca-cola, mas tudo bem.

Vim escrever aqui porque o twitter, com 140 caracteres, não vai dar conta de dizer porque esta pizza me faz tão feliz. A verdade é que, tão enferrujada como estou, sem nunca ter chegado ao ponto, não sei se eu vou dar conta de explicar isso. Mas é bom que o twitter tenha essas limitações porque volto à minha velha casinha. Ainda tenho esperanças de voltar a escrever por aqui.

Eu nunca pensei que pizza fosse tão bom; nunca dei bola pra isso. Mas acho a pizza perfeita a Gênova, da Gelateria Florença. Tem um massa tão fininha e leve. A mussarela é saborosa - na maioria das pizzas tem gosto de sabão. Como não sou vegetariana, há sempre a necessidade de algum representante da carne, um derivado que seja, que dê um toque e aroma marcantes, e no meu caso é a calabresa, o sabor perfeito casando com a mussarela. Azeitonas são essenciais, mas não aquelas cinco pobrezas com caroço; a azeitona certa numa comida são as rodelinhas sem caroço distribuídas por todo o corpo do alimento. Tomate também não pode faltar em grandes e suculentas rodelas, no ponto certo, com o perfeito sabor da fruta relacionando-se com todos os outros ingredientes. há leve toque de azeite, com certeza. Não é aquela pizza carregada de ingredientes; são os ingredientes essenciais.
Sim, tudo quentinho, cheio de sabor, sem exigir o mau gosto de catchups e maioneses que disfarcem as borrachas ensaboadas que se fazem por aí. É uma pizza substanciosa e, ao mesmo tempo, leve.

Já disse lá no twitter: às vezes estou aborrecida, a vida não vai bem. Chego à Gelateria Florença e Ronnie me faz o favor de pedir a pizza Gênova. Enquanto como tenho a plena sensação de ser feliz. E saio pensando: devo ser realmente feliz, caçando na mente coisas muito maravilhosas para continuar fazendo na vida.

Era isso, precisava dizer os ingredientes essenciais e bem selecionados que fazem uma pessoa meio psicótica relaxar. E também queria dizer "olá, blog, ainda tenho carinho por você"
Se eu conseguir voltar esse semestre à faculdade, conseguir pedalar a ergométrica que comprei há mais de um mês, parar de olhar inutilidades na internet e tentar concatenar as idéias, volto aqui.


VOMITADO POR Gato sem olho 11:42 PM Sacô? Esteja à vontade...

Sábado, Junho 05, 2010  

Só para falar do meu novo brinquedinho: um celular com internet wifi. Onde quer que eu vá, vejo se há uma rede disponível e navego por e-mail, orkut, banco, msn, até na intranet do trt eu entro... Gratuitamente. E hoje estou num hotelzinho em São Fidélis, onde vim fazer as provas do cederj e estou aqui, postando no meu blog via celular, deitadinha na cama do qusrto alugado. Só isso por hora. Beijões...


VOMITADO POR Gato sem olho 10:21 PM Sacô? Esteja à vontade...

 
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